NORMAS OPERACIONAIS DE AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR


1. AMOSTRAGEM

1.1 Em se tratando de sonda amostradora horizontal, montada sobre trilhos, o estacionamento do veículo de carga a ser amostrado deverá se posicionar de modo que a distância entre a coroa dentada do tubo amostrador e a cana do carregamento não ultrapasse a 20 cm.

1.2 Na amostragem com sonda horizontal e, em se tratando de colmos inteiros, os furos deverão ser realizados em 3 (três) pontos diferentes da carga, sem que ocorra coincidência nos alinhamentos vertical e horizontal. Em cargas de cana colhida mecanicamente e picada, a amostra deverá ser retirada, no mínimo, em um ponto qualquer da carga, em torno de sua altura e comprimento médios.

1.3 As 3 (três) subamostras serão coletadas em vãos consecutivos a partir da primeira perfuração, mesmo que esta seja realizada fora dos limites da carroceria.

1.4 A primeira perfuração deverá ser realizada no terço inferior ou superior do vão, e as demais consecutivas a direita ou a esquerda da primeira.

1.5 Considera-se como vão, o espaço livre entre fueiros, passível de perfuração pela sonda. A cana que exceder as extremidades da carroceria será parte integrante do primeiro e último vão, respectivamente.

1.6 As posições de retirada de amostra referem-se, possivelmente, à posição central do local provável das perfurações, não significando que a perfuração realizada ao redor desta comprometerá a representatividade da amostragem feita, induzindo a erros de avaliação da qualidade da matéria-prima.

1.7 Quando se tratar de sonda amostradora mecânica do tipo obliquo, a amostra será retirada em apenas 1(um) ponto aleatório da carga.

1.8 Quando se tratar de carrocerias fechadas para o transporte de cana picada ou não, a amostragem deverá ser feita através de aberturas fixas nas laterais da carga.

1.9 Quando houver impedimento da perfuração no local indicado, causado por obstáculo físico, poderá ser escolhida uma nova posição de perfuração.

1.10 Número Mínimo de Amostras

O número mínimo de amostras a ser coletado para cada fornecedor obedecerá ao seguinte critério:

Captura de tela 2014-05-22 11.14.28

1.11 O tubo amostrador, no caso da sonda amostradora horizontal, deve ser introduzido totalmente na carga e esvaziado após cada perfuração. O desrespeito a este procedimento acarretará a anulação automática da amostragem efetuada, repetindo-se a operação na mesma carga, após novo sorteio das posições de perfuração.

1.12 A coroa dentada da sonda amostradora deverá ser trocada quando demonstrar baixa eficiência de corte, observada pelo esmagamento da amostra.

2. PREPARO DA AMOSTRA

2.1 A amostra a ser analisada, resultante da mistura íntima das amostras simples, deverá ser preparada em aparelhos desintegradores que devem fornecer um índice de Preparo (IP) mínimo entre 85% (oitenta e cinco por cento) e 90% (noventa por cento).

2.2 As facas do desintegrador deverão ser substituídas diariamente, ou pelo menos a cada 250 amostras, sem prejuízo do valor do índice de preparo.

2.3 A metodologia para a determinação do IP é a seguinte:

Equipamentos

– Aparelho para a determinação do IP, com velocidade de +/- 5 rpm;

– Sacarímetro automático;

– Digestor tipo sul africano;

– Balança semi-analítica, com resolução máxima de 0,5g.

Técnica

– Desintegrar uma amostra de cana, obtida através da amostragem mecânica de uma carga, com sonda amostradora, no desintegrador a ser avaliado;

– Homogeneizar a amostra preparada;

– Pesar 500g e transferir para o copo do digestor;

– Adicionar 2.000ml de água destilada e ligar o digestor por 15 minutos;

– Resfriar o extrato obtido e filtrar em funil de tela de filtro rotativo ou em algodão;

– Clarificar uma alíquota de 200ml do extrato, com mistura clarificante à base de alumínio e fazer a leitura sacarimétrica (L0);

– Pesar mais duas subamostras de 500g da cana preparada e colocar nos recipientes do aparelho de índice de preparo;

– Adicionar em cada recipiente 2.000ml de água destilada;

– Colocar o aparelho em funcionamento por 15 minutos;

– Filtrar os extratos obtidos em funil de tela de filtro rotativo ou em algodão;

– Clarificar uma alíquota de 200ml de cada extrato, com mistura clarificante à base de alumínio, fazer a leitura sacarimétrica das alíquotas e tirar a média (L1);

– O Índice de Preparo (IP) será dado por:

L1

IP = ——- x 100

L0

2.4 A amostra preparada deverá ser homogeneizada mecanicamente e resultar, finalmente, numa subamostra de 1.500/2.000g para as análises tecnológicas.

3. EXTRAÇÃO DO CALDO

3.1 A amostra de cana preparada para a extração do caldo deverá ser de 500 ± 1 g. O material restante não deverá ser descartado até terminar a leitura de brix e da pol, servindo como contraprova.

3.2 A prensa hidráulica deverá estar regulada para uma pressão de 24,5 MPa (250 kgf/cm2) no manômetro, admitindo-se uma tolerância de ± 0,98 MPa (10 kgf/cm2).

3.2.1 Para a calibração da prensa hidráulica, pode ser utilizada uma célula de carga com manômetro certificado por órgão competente.

3.2.2 A pressão sobre a amostra obedecerá ao valor determinado pelo fabricante do equipamento.

3.3 O tempo de prensagem deve ser de 60 segundos ± 5 segundos.

4. DETERMINAÇÃO DO BRIX E DA POL DO CALDO EXTRAÍDO

4.1 Quando houver presença de impurezas minerais no caldo, o Brix poderá ser determinado em caldo filtrado em papel de filtro qualitativo a partir da 6ª gota do filtrado. Recomenda-se, também, um tratamento de caldo por filtração ou peneiragem, quando se utilizar a medição por espectrofotômetro de infravermelho próximo (NIR).

4.2 A determinação da pol do caldo será efetuada de acordo com os parágrafos 5º a 8º do Artigo 3º das Normas de Avaliação da Qualidade da Cana-de-Açúcar para o Estado do Paraná (Anexo I do Regulamento).

4.3 Todo o caldo clarificado deverá ser usado para a leitura sacarimétrica, respeitando-se o limite mínimo de 70 ml. Na hipótese de lavagem do tubo sacarimétrico com água, usar no mínimo 100 ml de caldo para a próxima leitura da pol.

4.4 O preparo da mistura clarificante à base de alumínio, deverá obedecer os procedimentos descritos no Anexo I. Outros agentes clarificantes poderão ser utilizados após aprovação pelo CONSECANA-PARANÁ.

4.5 Caso não se consiga a clarificação do caldo com o uso das quantidades recomendadas, os seguintes procedimentos devem ser tomados, na ordem de preferência assinalada:

– Refiltragem do caldo clarificado;

– Repetição da análise, com nova extração de caldo e/ou nova clarificação do caldo disponível, na presença de um representante credenciado dos fornecedores de cana;

– Diluição do caldo extraído bruto, na proporção de 1 (uma) parte de caldo para 1 (uma) parte de água destilada, peso/peso, com posterior clarificação, multiplicando-se, neste caso o valor da leitura sacarimétrica por 2, a cana cujo caldo extraído não for clarificado, após obedecidos os procedimentos anteriormente expostos, será considerada fora do sistema.

4.6 O sacarímetro será aferido inicialmente com placas de quartzo de valores conhecidos e, quando possível, calibradas por instituição oficial.

4.7 A linearidade e a repetitividade do refratômetro e do sacarímetro serão determinadas por leituras de soluções padrões de sacarose, conforme descrito no Anexo II.

5. DETERMINAÇÃO DA FIBRA % CANA

5.1. A fibra % cana será calculada de acordo com o Artigo 6º das Normas do Sistema de Avaliação da Qualidade da Cana-de-Açúcar do Estado do Paraná (Anexo I do Regulamento).

5.2. Quando a Unidade Industrial optar pela determinação da Fibra % Cana, segundo Tanimoto, deve-se utilizar o procedimento constante no Anexo III.

6. DETERMINAÇÃO DOS AÇÚCARES REDUTORES DO CALDO

6.1 Os açúcares redutores de caldo serão calculados pela equação indicada no Artigo 3º, parágrafo 9º das Normas de Avaliação da Qualidade da Cana-de-Açúcar para o Estado do Paraná (Anexo I do Regulamento)

6.2 Quando a Unidade Industrial optar pela determinação dos açúcares redutores do caldo, segundo o método de Lane & Eynon, deve-se utilizar o procedimento constante do Anexo IV.

7. INFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS

Os Boletins Quinzenais deverão conter, no mínimo, as seguintes informações:

Identificação da Unidade Industrial;

Identificação do Fornecedor e do Fundo Agrícola;

Cana Entregue;

Cana Analisada;

Brix, Pol e AR (Açúcares Redutores) do Caldo;

Pol, Fibra, AR e ATR (Açúcar Total Recuperável) da Cana

8. CREDENCIAMENTO DE REPRESENTANTES

As Unidades Industriais serão informadas pelos Sindicatos Rurais e/ou Associação de Classe dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar, sobre os seus representantes credenciados.

9. COMPARAÇÃO DE RESULTADOS

9.1 A diferença máxima aceitável a 95% de probabilidade entre repetições de análises de brix e leitura sacarimétrica de um mesmo caldo, realizadas no mesmo laboratório e pelos mesmos operadores, é de:

Brix = 0,2 oBrix
Leit. Sac. = 0,25 oS

9.2 A diferença máxima aceitável a 95% de probabilidade entre repetições de análises de brix, leitura sacarimétrica e peso de bolo úmido (PBU) de subamostras de uma mesma amostra homogênea de cana desintegrada, realizadas no mesmo laboratório com os mesmos operadores, é de:

Brix = 0,3 oBrix
Leit. Sac. = 0,6 oS
PBU = 10,0g

9.3 Para comparações entre laboratórios, equipamentos e operadores diferentes em uma mesma amostra, os valores acima referidos nos ítens 11.1 e 11.2 devem ser multiplicados por 2 e considerados como valores máximos.

10. PADRONIZAÇÃO DE CÁLCULOS

10.1 Por Carga

10.1.1. Peso da carga (P)

Deverá ser expresso em quilogramas (kg), sem casas decimais

10.1.2 Brix do caldo extraído (B)

Deverá ser expresso com uma casa decimal.

10.1.3 Pol do caldo extraído (S)

Deverá ser calculada pela equação:

S = LPb x (0,2605 – 0,0009882 x B)

LPb = (1,00621 x LAl + 0,051177)

onde:

LPb = leitura sacarimétrica equivalente a de subacetato de chumbo;

LAl = leitura sacarimétrica com a mistura clarificante à base de alumínio.

B = Brix do caldo

Os cálculos intermediários deverão ser realizados com um arredondamento em 6 casas decimais e o resultado final expresso com duas casas decimais arredondadas.
Pode-se utilizar como clarificante o subacetato de chumbo, em dosagem mínima de 2 g/100ml e não excedendo a 3 g/100ml de caldo.

10.1.4. Fibra industrial % de cana (F) e Peso de Bolo Úmido (PBU)

O PBU será expresso com uma ou duas casas decimais, em função da precisão da balança utilizada na sua pesagem. Os cálculos intermediários serão realizados com todas as casas decimais e o resultado final deverá ser expresso com duas casas decimais arredondadas.

10.2. Médias Diárias

10.2.1. O Brix caldo deverá ser calculado e expresso com duas casas decimais arredondadas.

10.2.2. A Pol caldo deverá ser calculada e expressa com duas casas decimais arredondadas.

10.2.3. A Fibra Industrial % cana deverá ser calculada e expressa com duas casas decimais arredondadas.

10.3. Médias Quinzenais

10.3.1. O brix caldo deverá ser expresso com duas casas decimais arredondadas.

10.3.2. A pol caldo deverá ser expressa com duas casas decimais arredondadas.

10.3.3. A fibra industrial % cana deverá ser expressa com duas casas decimais arredondadas.

10.3.4. A Pureza do caldo deverá ser expressa com duas casas decimais arredondadas e calculada de acordo com a seguinte expressão:

Sq

Qq = ——– x 100, onde :

Bq

Qq = Pureza média quinzenal

Sq = Pol do caldo, média quinzenal

Bq = Brix do caldo, médio quinzenal

10.3.5. A Pol da Cana (PC) deverá ser expressa com quatro casas decimais arredondadas. Os cálculos intermediários deverão ser realizados com arredondamento em 6 casas decimais.

10.3.6. Os Açúcares Redutores por cento de cana (AR) deverão ser expressos com quatro casas decimais arredondadas. Os cálculos intermediários deverão ser realizados com arredondamento em 6 casas decimais.

10.3.7. O açúcar total recuperável (ATR), deverá ser expresso com duas casas decimais arredondadas. Os cálculos intermediários deverão ser realizados com arredondamento em 6 casas decimais.

10.3.8. O valor da tonelada de cana (VTC) deverá ser expresso com duas casas decimais arredondadas. Os cálculos intermediários deverão ser realizados com 6 casas decimais arredondadas.

11. REGRA PARA ARREDONDAMENTO

Entender-se-á por arredondamento em todos os cálculos previstos neste documento, a adição de uma unidade à última decimal especificada, caso a decimal seguinte esteja compreendida no intervalo de 5 a 9. Exemplo:

Captura de tela 2014-05-22 11.14.40

12. PONDERAÇÃO DIÁRIA

A ponderação diária deverá ser feita pelas cargas amostradas no dia, como o que se segue:

12.1 Brix do caldo

B1 . P1 + B2 . P2 + … + Bn . Pn

Bd = ———————————————-

P1 + P2 + … + Pn

onde:

Bd = média ponderada diária de Brix do caldo;

B1, B2 … Bn = brix % caldo da carga amostrada;

P1, P2 … Pn = peso da carga amostrada.

12.2 Pol do caldo

S1 . P1 + S2 . P2 + … + Sn . Pn

Sd = —————————————— , onde:

P1 + P2 + … + Pn

Sd = média ponderada diária de Pol do caldo;

S1, S2 … Sn = Pol do caldo da carga amostrada;

P1, P2 … Pn = peso da carga amostrada.

12.3 Fibra % de cana

F1 . P1 + F2 . P2 + … + Fn . Pn

Fd = ——————————————–

P1 + P2 + … + Pn

onde:

Fd = média ponderada diária de Fibra Industrial % cana;

F1, F2 … Fn = Fibra % cana da carga amostrada;

P1, P2 … Pn = peso da carga amostrada.

12.4 Fator K

Para aplicação do disposto no Artigo 14 do Anexo I do Regulamento, o fator K deverá ser calculado para cada carga. Quando não houver desconto na carga, faz-se K = 1. A ponderação diária deverá ser feita pelas cargas amostradas no dia, como o que se segue:

K1 . P1 + K2 . P2 + … + Kn . Pn
Kd = ———————————————-, onde;
P1 + P2 + … + Pn
Kd = média ponderada diária de desconto;
K1, K2, …… Kn = desconto da carga amostrada
P1, P2 ….. Pn = peso da carga amostrada

13. PONDERAÇÃO QUINZENAL

A ponderação quinzenal deverá ser feita pelo total de carga entregue na quinzena, conforme se segue:

13.1 Brix do caldo

Bd1 . P1 + Bd2 . P2 + … + Bdn . Pn
Bq = ———————————————-
P1 + P2 + … + Pn
onde:

Bq = média ponderada quinzenal de Brix do caldo;

Bd1, Bd2 … Bdn = Brix do caldo médio diário;

P1, P2 … Pn = peso total diário de cana entregue pelo fornecedor.

13.2 Pol do caldo

Sd1 . P1 + Sd2 . P2 + … + Sdn . Pn
Sq = ———————————————–
P1 + P2 + … + Pn
onde:

Sq = média ponderada quinzenal de pol do caldo;

Sd1, Sd2 … Sdn = pol do caldo média diária;

P1, P2 … Pn = peso total diário de cana entregue pelo fornecedor.

13.3. Fibra % de cana

Fd1 . P1 + Fd2 . P2 + … + Fdn . Pn
Fq = —————————————————
P1 + P2 + … + Pn
onde:

Fq = média ponderada quinzenal de Fibra Industrial % cana;

Fd1, Fd2 … Fdn = fibra % cana média diária;

P1, P2 … Pn = peso total diário de cana entregue pelo fornecedor.

13.4. Fator K

A ponderação quinzenal deverá ser feita pelo total das cargas entregues na quinzena, conforme se segue:

Kd1 . P1 + Kd2 . P2 + … + Kdn . Pn
Kq = ——————————————————-,
P1 + P2 + … + Pn
onde;
Kq = média ponderada quinzenal de desconto;
Kd1, Kd2, …… Kdn = desconto médio diário;
P1, P2 ….. Pn = peso total diário da cana entreguge pelo fornecedor
A aplicação do Fator K incidirá sobre o ATR apurado na quinzena, ou seja:
kg de ATR final da quinzena = kg de ATR médio da quinzena x Fator K da quinzena (Kq)
O desconto médio diário e quinzenal (Kd e Kq) deverão ser calculados e expressos com quatro casas decimais arredondadas.

14 APURAÇÃO DOS VALORES MÉDIOS QUINZENAIS

Com os valores de Bq, Sq e Fq calcula-se, de acordo com a formulação específica já definida, a pureza do caldo (Pza), a Pol da cana (PC), os Açúcares Redutores (AR), o Açúcar Total Recuperável (ATR) e o Valor da Tonelada de Cana-de-Açúcar (VTC)

15 CÁLCULO DO ATR E PRODUTOS

15.1. ATR

ATR = (10 x 0,88 x 1,0526 x PC) + (10 x 0,88 x AR), ou
ATR = 9,26288 x PC + 8,8 x AR, onde:
ATR = Açúcar Total Recuperável, expresso em kg/t
PC = Pol da Cana (%)
AR = Açúcares Redutores da Cana (%)
O valor de 0,88 corresponde às perdas de 12% no processo industrial, excluída a fermentação e destilação.

O valor 1,0526 corresponde ao fator estequiométrico de conversão de sacarose em açúcares redutores.

Os açúcares redutores do caldo serão calculados através de uma equação de correlação entre a pureza do caldo e os açúcares redutores do mesmo e transformados em açúcares redutores da cana, cujas equações são as seguintes:

AR %caldo = (9,9408 – 0,1049 x Pza)

AR = (9,9408 – 0,1049 x Pza) x (1-0,01xF)x(1,0313-0,00575xF)

Onde:

Pza = Pureza do caldo

F = Fibra % cana

(1-0,01xF) = coeficiente do caldo absoluto da cana-de-açúcar

(1,0313-0,00575xF) = coeficiente de extração de caldo da prensa.

Quando o AR % caldo for determinado por análise, o cálculo do AR será feito pela equação seguinte:

AR % cana = AR % caldo x (1-0,01xF)x(1,0313-0,00575xF)

15.2. AÇÚCAR

Para o açúcar adotou-se uma polarização de 99,7º S e mel final de 40% de pureza com 55% de açúcares redutores totais. Desta maneira, a recuperação da fabricação(R) dada pela equação SJM (Sugar Juice Molasses), resulta em :

R = [99,74/(99,74-40)]x[1-40/(Pza-1)]

R= 1,66957 x [1-40/(Pza-1)]

O açúcar seria calculado por :

AÇÚCAR (99,7ºS) = {10 x PC x 0,88 x 1,66957 x [1-40/(Pza-1)]}/0,997

AÇÚCAR(99,7ºS) = 14,7364 x PC x [1-40/(Pza-1)]

15.3 ÁLCOOL ANIDRO RESIDUAL – AEAr

O álcool residual é fabricado da parcela do mel, que não foi recuperada como açúcar, convertido em açúcares redutores, mais os açúcares redutores da cana.

AEAr = {[9,26288 x PC x [1- (1,66957 x (1-40/(Pza-1)))] + (8,8 x AR))} x 0,5504
O fator 0,5504 refere-se à conversão de um kg de ATR em álcool anidro, com um rendimento de fermentação de 85,5% e de destilação de 99%. Eficiência (E) da destilaria em litros de álcool anidro por kg de ATR:
E = (0,6503 x 0,855 x 0,99) litros/kg de ATR
E = 0,5504 litros/kg de ATR

15.4 ÁLCOOL ANIDRO DIRETO – AEA

Quando somente se produz álcool anidro direto, utiliza-se toda a quantidade de ATR para a fermentação e o cálculo é dado por :

AEA = ATR X 0,5504

15.5 ÁLCOOL HIDRATADO RESIDUAL – AEHr

Para obter os volumes de álcool hidratado direto basta multiplicar os valores de álcool anidro direto pelo fator de conversão em função das massas específicas e respectivos graus alcoólicos :

Fator de conversão de álcool anidro para hidratado = 1,04361

Ou multiplicar 0,5504 por 1,04361 = 0,5744

AEHr = [(9,26288 x PC x (1- (1,66957 x (1-40/(Pza-1)))) + (8,8 x AR))] x 0,5744

15.6 ÁLCOOL HIDRATADO DIRETO – AEH

Quando somente se produz hidratado direto, utiliza-se toda a quantidade de ATR para a fermentação e o cálculo é dado por :

AEH = ATR x 0,5744

16. TRANSFORMAÇÃO DOS PRODUTOS FINAIS EM ATR

A quantidade de ATR necessária para obter unidades do produto é dada por :

1,0 kg de açúcar com polarização de 99,7º S contém 0,997/0,95 kg de ATR, ou seja, 1 kg de açúcar eqüivale a 1,0495 kg de ATR.

Açúcar = 0,997/0,95 = 1,0495 kg de ATR

Para álcool anidro e hidratado tem-se :

De acordo com as eficiências de fermentação e destilação adotadas, 1,0 kg de ATR produz 0,5504 litros de álcool anidro a 99,3º INPM.

Para produzir 1,0 litro de álcool necessita-se de 1/0,5504 = 1,8169 kg de ATR

Álcool Anidro = 1/0,5504 = 1,8169 kg de ATR

Da mesma maneira calcula-se para o álcool hidratado :

Álcool Hidratado = 1/0,5744 = 1,7409 kg de ATR

Pode-se então calcular :

1,0 saco de 50 kg de açúcar a 99,7º S eqüivale a 52,475 kg de ATR
1,0 tonelada de açúcar a 99,7º S eqüivale a 1.049,5 kg de ATR
1,0 m3 de álcool anidro eqüivale a 1.816,9 kg de ATR
1,0 m3 de álcool hidratado eqüivale a 1.704,9 kg de ATR

17. QUANTIFICAÇÃO DO ÁLCOOL RESIDUAL

O volume de álcool residual produzido é obtido através de cálculo, considerando-se :
Qualidade média da cana de Fornecedores (Pol % cana, Pureza do Caldo e Fibra % cana)
Quantidade produzida de açúcar e álcool da usina Relação litros de álcool residual por kg de açúcar

Um exemplo pode esclarecer a sistemática:

Qualidade da cana do Fornecedor :

Pol % cana = 14,4007
Pureza do caldo = 87,81
Fibra % cana = 14,25

Adotando as equações do item 17, tem-se por tonelada de cana-de-açúcar :

ATR = 138,62 kg
Açúcar = 114,43 kg
Álcool AEA residual = 10,1985 l/t
Relação AEAr/açúcar = 0,0891 l/kg
Álcool AEH residual = 10,6432 l/t
Relação AEHr/açúcar = 0,0930 l/kg

Em caso de unidades industriais produzindo açúcar, álcool anidro e hidratado, transforma-se todo álcool em anidro (hidratado/1,04361) e calcula-se a participação percentual do anidro, obtendo-se a participação do hidratado por diferença.
Cálculo do álcool residual anidro e hidratado, com base no exemplo anterior:
Álcool residual anidro = 0,0891 x Açúcar produzido x participação do anidro
Álcool residual hidratado = 0,0930 x Açúcar produzido x participação do hidratado
Em caso de unidades industriais produzindo açúcar e álcool anidro ou hidratado, o álcool residual será calculado, levando-se em consideração o tipo de álcool produzido, ou seja:

Unidades produzindo açúcar e álcool anidro :

AEAr = açúcar produzido x 0,0891

Unidades produzindo açúcar e álcool hidratado :

AEHr = açúcar produzido x 0,0930

Em caso de unidades industriais produzindo somente açúcar, o álcool residual será expresso em anidro e calculado considerando-se o álcool residual por tonelada de cana-de-açúcar processada, conforme exemplo dado a seguir:

Qualidade da cana-de-açúcar do Produtor :

Pol % cana = 14,4007
Pureza do caldo = 87,81
Fibra % cana = 14,25

Adotando as equações do item 17, tem-se por tonelada de cana :

ATR = 138,62 kg
Açúcar = 114,43 kg
Álcool AEA residual = 10,1985 l/t

Anexo I

Anexo II

Anexo III